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CORDEL CAIÇARA - Pra Quem Tem Opinião


Famosa por entrevistar bichos do além, “os-fíi-do-cabronco”, encontrar os "que-ronca-e-fuça" etc., ANN RICE contatou Le Duo Terrible, após tomar ciência da intenção desta nossa Edição Especial. Assídua visitadora do nosso blog, Annie (que é como a chamamos) – em prantos e soluços implorativos – confessou-nos seu interesse em participar deste projeto. O C.C., que não é nem um pouquinho bobo, viu por bem delegar – não sem antes pedir referências da moça ao nosso amigo Lestat – a uma estrangeira (para haver o tal do “distanciamento”) a tarefa árdua de entrevistar o homenageado deste número, que, não por acaso, vai ao ar no dia 31 de outubro.

É uma maneira  de mostrar que até os gringos estão mais interessados em nosso folclore do que em halloween e outras baboseiras enlatadas e sem o menor conteúdo.

 

Nossa ARROZINHA (outro apelido carinhoso, e não confundir com aquela fascista da Condoleezza, também, Rice) fez uma pausa na vendagem de seus 100 milhões de exemplares, baixou seu cachê para 500 mil pilas européias (mais umas doses de caninha e duas rapaduras das boas) e saiu a campo.

 

Levamos a moça pro Terminal do Tietê, a embarcamos num Tri-Bus Luxo – que o C.C. não é pão-duro – rumo ao Sul do Brasil e o resultado está logo aí, bem abaixo.

 

Bom proveito, e VIVA O SACI!

 

 

 

"Depois de meu último papo com Lestat, pensei não haver mais nenhum desafio em minha carreira. Foi quando – após comoventes apelos de minha parte – os meninos do C.C. me propuseram que eu entrevistasse uma verdadeira lenda, muito mais tinhosa do que aquele vampiro fedido e sem graça. E muito mais intrigante do que duendezinhos idiotas ou bruxinhas esotéricas.

 

A ma-ra-vi-lho-sa viagem no Tri-Bus Luxo levou-me ao interior da região Sul do Brasil, onde eu prontamente tratei de achar um guia disposto a levar-me onde vive nosso ilustre entrevistado.

 

Após dois dias no lombo de uma mula, serpenteando as matas da Serra do Urubici (vulga “Corvo Branco”) cheguei ao local indicado pelo meu amigo Rosimar Westphalen, o guia, que, conhecedor das manhas e artimanhas do Saci, resolveu voltar imediatamente, deixando-me à minha própria sorte após várias advertências.

 

Amarrei minha mula no tronco de uma araucária, espalhei centenas de barbantes com diversos nós pelas redondezas e esperei o anoitecer – porque sei que o Saci não é muito fã do astro rei.

 

Depois de a noite cair, foi fácil encontrar o perneta, já que ele estava com um monte de barbante na mão, sentado junto a uma árvore e desfazendo os nós enquanto pitava seu cachimbo.

 

Aproximei-me sorrateiramente e, num rápido movimento, peguei seu gorro e enfiei-o dentro de uma garrafa. Daí pra frente não foi difícil convencê-lo a conceder a entrevista.

 

Ann Rice:  Como prefere que o chamem?

Saci: Prefiro que me chamem de Yaci-Yaterê, que é o meu nome no bom e velho Tupi-Guarani. Mas como eu sei que as nossas gentes andam muito mais interessadas nas coisas estrangeiras, poucos assim me chamam. Pode me chamar de Saci, que não tem problema.

 

AR: Sr. Saci, fale-me um pouco de como anda a sua vida.

Saci: Dona Rice, “senhor”, não, que não sou dado àquelas frescuras de vampiro, não! Não tenho muito do que reclamar. Tô chegando aos setenta e, como é sabido, logo, logo, no máximo em sete anos, vou me tornar um cogumelo venenoso, chamado popularmente de “orelha de pau”. Mas fico muito puto com algumas coisas que eu vejo nos jornais.

 



Escrito por LE DUO TERRIBLE às 04h47 PM
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AR: O quê, Saci?

Saci: Por exemplo: quando meu querido amigo, o muito bom deputado federal Aldo Rebelo (PCdB-SP), criou o Dia do Saci, um monte de babacas achou graça, fez piadinhas de muito mau gosto e ridicularizou o deputado – e, de quebra, a mim também. São aqueles idiotizados e aculturados de sempre, sabe?

Aqueles que vestem suas crias com roupinhas ridículas da Xuxa, do Superman, do Batman, do Spiderman, compram CD’s do É o Tchan, do Sandi e da Júnior e fazem festas de halloween pras crianças.

 

AR: Pôxa! E aqui tem disso também?

Saci: ÔOOOXI! – como diria meu amigo Seo Nonato. Se tem! Já conversei muito sobre isso com o Ziraldo e o Maurício de Souza. Se o [Monteiro] Lobato estivesse vivo taria cuspindo gafanhotos. Creio que seja essa falta de identidade cultural que me entristeça muito, Dona Rice...

 

AR: Annie, por favor...

Saci: ...Ninguém mais sabe quem é o Pixinguinha – que vinha muito aqui bater um papo e tomar umas – o Noel Rosa, o Cartola.

Como a senhora, desculpe, você sabe, o primeiro Saci – meu ta-ta-ta-ta-taravô, saiu do bambuzal no período colonial – perdão pela rima –, aqui no Sul e nos espalhou por todo o território nacional – ih! Rimou, de novo!. O velho gostava de ser chamado de Saci-Saçura. Nós, Sacis, sempre lutamos pela identidade cultural brasileira e o que anda passando na televisão nos deixa muito tristes. Às vezes, dá até vontade de desistir...

 

AR: Vejo que você é uma pessoa, digo, um Saci bastante politizado...

Saci: E por que você acha que o meu gorro é vermelho?

 

AR: Não havia pensado nisso...

Saci: Ah, Annie, o vermelho é a cor das lutas populares... da causa do proletariado...

 

AR: Falha minha. Desculpe-me. Mas por falar em engajamento e lutas populares, como você vê o Brasil de hoje?

Saci: Olha, eu sou um travesso incurável. Como não posso cagar nem mijar, sempre gostei de apoquentar os outros. Recentemente, enviei uma legião de formigas pra casa da Eliane Catânhede, porque ela anda muito preocupada com as viagens aéreas que faz; e um exército de pulgas para a cama da Mônica, pro Renan ver se toma tenência e pára fazer besteiras.

Mas, o pessoal lá da Câmara e do Senado anda fazendo travessuras difíceis de superar...

 

AR: Na minha terra também tem uns tipinhos assim...

Saci: Mas o que realmente me agradou muito nesses últimos anos foi ver o pessoal daqui e de outras regiões mais pobres ficarem mais gordinhos. Nunca imaginei que esse menino Lula pudesse vencer as oposições rechonchudas do país...

 

AR: E, se me permite um adendo, Saci, não é só aqui no seu país, não: Venezuela, Equador, Argentina, Chile, Bolívia e mais um monte de povos resolveu começar a dar um basta nessa vampirada toda – e olha que de vampiro eu entendo pra dedéu...

Saci: É verdade, Annie... É apenas o começo... O “primeiro passo da longa marcha”, como disse aquele menino chinês...

 

AR: Mas, certamente, essa turma de “chupins” não vai deixar barato, não é mesmo?

Saci: Que nada, Annie! Esse bando de “chupa-cabra” tá tudo de dedo em riste e azeitando a máquina. Basta ver o comportamento da grande imprensa e daqueles que sempre se locupletaram desde muito antes da minha primeira aparição por aqui.

 



Escrito por LE DUO TERRIBLE às 04h31 PM
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AR: Desculpe o trocadilho, Saci, mas é bom você e todos esses povos “não dormirem de gorro”, digo, “touca”, que essa corja é golpista e faz qualquer coisa por dinheiro. heim?

Saci: Ah, Annie, isso é vero, muito vero! Esses, que já nascem com etiqueta de preço e tatuagens de grifes no peito, vêm com aquele discursinho previsível, sempre o mesmo, de “ideologias ultrapassadas”, “idéias antigas”, como se antigas e ultrapassadas e milenares não fossem a fome, a miséria, o lucro, a exploração, a safadeza, a corrupção, o puxa-saquismo...

 

AR: Nem me fale, Saci, nem me fale. Quando eu era mais jovem, trabalhei num jornal e o dono vivia de me explorar. Ele ia enriquecendo às custas do nosso trabalho e talento, fazia cartaz com o que a gente produzia e nós lá, no maior miserê...

Saci: Isso é típico de esgoteiro, Annie! E o mais irônico é que nós, que defendemos os mais jovens, modernos e revolucionários valores da humanidade e das pessoas de bem – o amor, o trabalho, a solidariedade, a paz, a fraternidade, a igualdade etc. e tal –, é que somos os “atrasados”... Engraçado, esses esgoteiros são uns mancos intelectuais e ideológicos e o perneta sou eu...

 

AR: Saci, acabou o nosso tempo! Arremate essa entrevista com um toque pro povo do C.C.

Saci: Bom, povo do CORDEL CAIÇARA, nunca se esqueçam de que “o coração é vermelho, fica do lado esquerdo do peito e sem ele ninguém vive”, firmeza?

Agora, Annie, poderia fazer a fineza de devolver o meu gorrinho? Tá ficando tarde, e daqui a pouco, como dizia um velho repentista, “vai nascer um sol, igual a gema do ovo, dentro da clara do dia”, e eu ainda não preguei nenhuma peça...

 

AR: Obrigado Yaci-Yaterê! Foi muito bom fazer uma entrevista sem ter que ficar com colar de alho e crucifixo, para evitar mordidas no meu pescoço.

Parabéns pelo seu Dia e viva o folclore brasileiro!

 



Escrito por LE DUO TERRIBLE às 04h14 PM
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OSCAR NIEMEYER É MUITO, MUITO MAIS QUE O CARA! 100 Y MÁS, MESTRE OSCAR!



Escrito por LE DUO TERRIBLE às 04h03 PM
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"HACKERS-VIUVINHAS" ALTERARAM A DATA CORRETA DO ANIVERSÁRIO D´EL PIBE D´ORO: O CERTO É 30 DE OUTUBRO! MALDITOS "VIUVINHAS"...



Escrito por LE DUO TERRIBLE às 03h45 PM
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ENTRE OS SACIS E AS FADAS

 

Saudações!

            É de causar pesar a situação vivida por um dos clubes mais tradicionais e importantes do glorioso futebol brasileiro. E não foi por falta de aviso. Quem viveu e acompanhou de perto uma das fases mais brilhantes do Corinthians em toda a sua história — a Democracia Corinthiana —, sendo torcedor, simpatizante ou nem isso, fica no mínimo entristecido com o inferno astral que teima em não deixar o Alvinegro há, pelo menos, dois anos.


            Aliás, o movimento chamado Democracia Corintiana não foi importante apenas para o clube. Extrapolou o universo futebolístico e sempre deve ser lembrado pela história como um dos principais focos de inteligência de pessoas que lutaram pela redemocratização do País, na década de 80.


 Mas, voltando aos dias de hoje, a situação é tão difícil que os corinthianos deveriam aproveitar o Dia do Saci (31 de outubro) para se agarrar aos poderes dos seres elementais, como fadas e gnomos, e dos personagens do nosso rico folclore para sair desse estado vegetativo no qual se encontra e de onde dificilmente sairá a curto ou médio prazo. Isso porque, dentro do quadro duro e frio das táticas e da técnica do futebol, está muito difícil.


            Aqui vai um parênteses (como diz um amigo meu: “só abre parênteses quem tem muito o que dizer”). Sem querer forçar a barra, há algumas características comuns entre o Corinthians e o nosso querido Saci. Ambos são dignos representantes do que há de mais brasileiro. E, além disso, o time atual vive sem perna para buscar uma reação no Campeonato Brasileiro, assim como o personagem que habitou a infância de várias gerações, principalmente nas deliciosas histórias escritas por Monteiro Lobato.


            Não vou me ater às explicações sobre os motivos que levaram o Timão a esse estado deprimente, lutando desesperadamente para não amargar o descenso à Segunda Divisão do campeonato. Mesmo porque, muito já se falou a respeito da mais do que suspeita parceria entre o clube e a MSI, empresa fantasma, que injetou no clube dinheiro fantasma e montou um time bom, em 2005, que se transformou em uma equipe fantasma nas duas últimas temporadas. Enfim, negociata que deve até ser alvo de uma CPI. Pois bem. A MSI veio prometendo o paraíso, tendo à frente aquele sujeito chamado Kia Joorabchian (esgoteiro importado), que chegou com jeito de fada madrinha e que se transformou na bruxa malvada.


 E agora vem a Fifa, posando de arauto da moralidade, para mudar as regras do jogo, com o objetivo de impedir que parcerias como essas sejam repetidas no futebol internacional. Ela, a partir desse momento, deixa claro que ‘‘um clube não pode fechar acordos com partes que interfiram na direção de futebol de uma equipe ou sejam proprietárias de jogadores’’.


            Ora, logo a Fifa, que sempre esteve envolvida em negociações misteriosas e que, de algum tempo para cá, tornou-se uma entidade milionária que nunca soube explicar direito os critérios utilizados quando de suas eleições.


E A COPA?


E é essa mesma Fifa que, praticamente, patrocinou a escolha do Brasil para ser sede da Copa do Mundo de 2014. Afinal, não fez nenhuma questão de que outras candidaturas se apresentassem. A propósito, sobre esse tema tenho inúmeras restrições ao ufanismo do Mundial em nosso solo, me posicionando na contramão da maioria.


            Pelas previsões iniciais, serão necessários nada menos do que US$ 1,2 bilhão para que nossos estádios se tornem aptos a receber as partidas do Mundial. Além disso, os hotéis exigirão investimentos da ordem de US$ 500 milhões até 2014. Isso só para começar. Em minha modesta opinião, é muito dinheiro que poderia ser utilizado para causas mais sérias e prioritárias, mesmo que grande parte venha da iniciativa privada. Mas isso fica para outra oportunidade.


Até a próxima!

 



Escrito por LE DUO TERRIBLE às 03h35 PM
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Escrito por LE DUO TERRIBLE às 03h18 PM
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Escrito por LE DUO TERRIBLE às 03h06 PM
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TODA  FAMÍLIA  TEM  UMA  DINDA

Bula: leia esta crônica ouvindo “Aldeia, Aldeota, estou  batendo  na  porta pra lhe aperrear...”  (Ednardo). E  conclua  a  leitura  ao  som  de “E  por  falar  em  palmeira, ainda tem o Buriti  perdido...”  (Belchior).

 

A casa tem um muro alto e branco de uns dois metros de altura. O portão é azul-quase-marinho e possui um círculo vazado bem no centro da folha esquerda, por onde quem chega enfia a mão e solta a tramela que o mantém trancado.

 

Ela, a casa, está localizada numa rua tranqüila –como eram as ruas de Fortaleza no início da década de 1980- bem próxima à Avenida Estados Unidos (aquele país do norte, que tem gente que chama de “América” e cujos oriundos seriam os “americanos”... Como não fossem americanos desde os pingüins da Patagônia, até a fauna e flora da Ilha de Baffin, no Mar Glacial Ártico), na boa e velha Aldeota.

 

Neto e seu primo Arnoldo são adolescentes. O primeiro é pouco mais de um ano mais jovem.

 

São, aproximadamente, seis e meia da matina e a dupla de primos chega, relativamente embriagada, após uma noitada com seus tios e primos mais velhos. Por cautela, foram “desovados” a uma quadra de distância, “pra modinunfazê barulho”.

 

Algo cambaleantes, já em frente a casa, o mais velho faz “Pshhhh!”. Enfia a mão pela abertura e cautelosamente abre o portão.

Entramos. Devolvida a tramela a seu lugar, ouvimos: “Boniiiiito! Meninos, acabem com esse negócio de bebida, pelamordedeus!”.

 

Era a Dinda, mãe de Arnoldo e tia do Neto.

 

Cabelos presos por um lenço, chinelos, camisola e penhoar, varrendo o quintal -que sempre estava cheio das areias que o (hoje inexistente) vento refrescante da Terra da Luz trazia consigo dos lados de mar.

 

Neto está encabulado e constrangido. Arnoldo, prontamente, retruca: “Mas, mamãe, a gente bebe, bebe e elas num se acabam, mamãe!”.

 

Dinda pára, se apóia na vassoura e faz uma cara emburrada.

Eu penso: “Fodeu!”.

Arnoldo continua lá, de braços abertos e com uma expressão gaiata e “fulêra”.

Dinda começa a rir (“se abrir”, como dizem por lá) e emenda: “Vão já pro banho, pra tomar o café-da-manhã!”.

 

Dinda, há pouquíssimo tempo, bateu as asas e foi habitar no Paraíso em que acreditou durante todos os minutos de sua vida.

 

Deixou a mim (o Neto), um ateu, triste e torcendo pra que o Paraíso realmente exista. E mais um bando de gente desamparada e perdida no “Buriti perdido”, nos 40 graus de Teresina e em outros cantos do mundo.

 

Olavo Dáda é cantor, compositor e arquiteto nascido em Corinthians-SP, com prêmios em cinema, música, dramaturgia e literatura

 

 



Escrito por LE DUO TERRIBLE às 02h58 PM
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Escrito por LE DUO TERRIBLE às 02h56 PM
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BELCHIOR É O CARA!



Escrito por LE DUO TERRIBLE às 02h51 PM
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